terça-feira, 23 de novembro de 2010

Blackout...

O pouco que eu lembro do que ela contou era mais ou menos assim...

“Tudo começou há uns seis anos atrás... quando eu tinha dezesseis anos, meu pai morreu, nessa época a gente ainda morava nos EUA. Minha mãe não que nunca suportou muito bem esse tipo de situação se envolveu com o Ex sócio do meu pai, eles eram donos de uma rede de restaurantes... nos primeiros dois anos dessa relação foi tudo bem, ele sempre tratou a mim e ao meu irmão muito bem, bem até de mais se a eu tivesse percebido a tempo. Foi numa noite que a minha mãe saiu pra jantar com umas amigas e o Isaac foi jogar vídeo game na casa de um colega dele, eu fiquei em casa sozinha com o Gusmão...e ele me violentou.”

Eu sei, você deve estar pensando, ela foi violentada quando era jovem...sim, e eu com isso? Milhares de meninas/mulheres são violentadas no mundo e nem por isso elas supostamente viram fantasmas... mas não para por aqui...

“Você deve estar pensando, porque ela não falou pra ninguém, não denunciou o cara? É que eu tive medo...medo pela minha mãe ou pelo meu irmão...ele poderia querer se vingar. Mas o melhor ou o pior é que ele só fez isso uma vez...eu digo pior não porque eu queria que acontecesse de novo, mas é que a minha vida nunca mais foi a mesma...eu vivia com medo tinha pesadelos horríveis e sempre achava que ele ia invadir o meu quarto a noite... depois de um tempo, eu não sei se foi o meu comportamento estranho ou algo do tipo, sei que o meu irmão começou a fazer perguntas muito diretas...tipo ‘o que acontece entre você e o Gusmão?’ e ‘porque você nunca fica sozinha por mais de 15min com ele?’.”

“Isso se passou por quatro anos o medo em casa corredor, eu não tinha mais uma vida, todos os meus amigos se afastaram porque eu não falava mais com eles e até a minha mãe percebia algo...mas como toda mãe observadora só me botou num psicólogo...como se fosse ajudar em algo. Na verdade, até que ajudou por um tempo, eu não tinha mais vontade de me matar, mas não conseguia olhar na cara daquele desgraçado. Até que chegou o dia que eu não pude evitar...o dia da festa, o dia em que eu me libertei.”

“Era um dia de festa como eu disse antes, o Bar Mitzvah (uma festa que simboliza a passagem do menino pra fase adulta.) do filho de uma amiga da minha mãe, e automaticamente, a ‘família perfeita’ tinha que marcar presença. O caminho de ida não teve nenhum problema, tava todo mundo no carro, eu não tinha mais tanto medo assim...a questão foi que na festa, a minha mãe resolveu beber um pouco demais, e eu queria voltar logo pra casa, mas ela não queria parar de dançar a ‘Hava Nagilla’, então o meu irmão disse que ficava lá com ela e falou pro Gusmão me levar, mesmo eu insistindo que podia ir sozinha e tal...”

“No caminho de volta, como eu imaginei ele tentou conversar sobre o que aconteceu, na verdade ele queria realmente conversar...veio com um papo estranho que não sabia o que tinha passado na cabeça dele naquele dia, eu só conseguia olhar pra frente...me segurando pra não chorar só de lembrar daquela noite infernal. Depois disso eu não lembro de muita coisa, só lembro de ele ter olhado pra mim por uns dois segundos, depois foi uma freada, uma luz, depois a polícia tomando o depoimento dele... algo como o caminhão surgir do nada e os freios não responderem...o choque todo foi do meu lado...”

Depois disso, eu (Oliver) só lembro de uma dor forte na cabeça e tudo ficando escuro...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Rest In Peace...

“Sério que tu se chama Isaac Rabin? Igual ao cara de Israel?” Eu ainda não conseguia entender a minha surpresa...devia ser um nome comum entre os judeus...

“É...na verdade eu nem sei muito sobre esse cara, meus pais que gostavam dele... ele morreu na mesma época que eles vieram pro Brasil.”

“ISAAC!!” Outro grito...parece que o povo só grita naquela casa...

“Cara, minha mãe tá chamando, eu tenho que ir logo...até outra hora.”

“Beleza...eu vou indo também...até mais.”

Eu fui descendo a rua sem prestar muita atenção no caminho... ainda eram umas 20h mas não tinha quase ninguém na rua, se bem que parecia ser uma região de casas abandonadas, mas eu continuei andando e pensando onde tinha ouvido aquele nome, quando cheguei num cemitério. Era um cemitério normal a não ser pela bandeira que tinha na porta...uma bandeira de Israel. Tudo bem eu sou curioso, mas não a ponto de entra à noite num cemitério...ainda por cima judeu, mesmo assim eu não resisti e entrei, o lugar era iluminado e tinham algumas pessoas andando por lá. Eu fui andando e olhando os nomes nas lápides até chegar na parte dos túmulos grandes (Mausoléu), aí tinha um que era que era bem grande mas eu não queria chegar perto porque tinha um cara lá...podia ser o dono do mausoléu...era melhor eu continuar o meu caminho.

Eu fui andando e olhando os outros, quando eu voltei pelo mesmo caminho o cara não tava mais lá, mas o portão tava aberto, não custava nada dar uma olhada...eu já tava indo embora mesmo, eu entrei mas nem olhei o nome na entrada...lá dentro era mais iluminado, tinham umas lâmpadas e embaixo de cada ossuário tinha um banco com nome escritos, quando eu cheguei perto deu pra ler o nome da família, foi um choque da porra quando eu li “Mausoléu da Família Rabin” e em cima de um dos bancos tinha alguma coisa, quando eu fui olhar de perto era um laço vermelho e a inscrição no banco era:

Sarah Rabin.

31/12/1988 - 27/07/2010

Rest In Peace”


“Eu vou te explicar tudo Oliver...”

Quando eu virei, a Sarah tava lá na porta, olhando pra mim...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Reencontro...

É aquela coisa, você ouve uma discussão, porque não sair de perto? Mas deixar uma pessoa sozinha pra se ferrar caso alguém aparecesse armado era covardia... Mas tudo bem, nem eu a conhecia bem nem ela me conhecia, era mais que normal ela não me dever lealdade.

Tudo continuou bem, eu nem lembrava mais daquela menina, até duas semanas depois... quando teve outro ensaio, naquela mesma região, mas dessa vez o pessoal marcou mais cedo. Quando eu tava indo pro ponto de ônibus (sozinho de novo) eu nem percebi que tava passando por aquela rua de novo e quem eu vejo na porta daquela casa?? Ganha um doce quem acertar... não, não era o Batman, sim, era a Sarah. Eu fui falar com ela tranquilamente aí ela me pediu desculpas por ter sumido no outro dia, eu respondi que não tinha problema, a gente ficou mais um tempo conversando quando de repente a porta da casa abre, mas em vez de sair a mulher ou o homem gritando sai um cara mais ou menos da minha idade...

Quando o cara chega perto da gente adivinhem...sim a Sarah sumiu de novo...menina estranha da porra, deve ser da KGB.

“Boa noite...” O estranho.

“Boa noite...” O outro estranho...

“Você tá procurando alguém? Eu vi você parado aqui na porta...” o cara continuou.

“Na verdade eu tava justamente querendo saber pra que lado fica o ponto de ônibus...” Eu tinha que ser sagaz...

“Ah sim, e no outro dia também?” Droga, ele tinha sido mais sagaz.

“Bom, ali é uma outra história...você mora aqui?” A arte de desviar o assunto...

“É, moro porque?”

“Por nada...só curiosidade...”

“Curiosidade por causa dos gritos que você e todo mundo que passa ouve? Porque se for isso é melhor deixar a curiosidade pra lá...” É, eu acho que ele tava ficando puto.

“Ei, calma aí bicho...naquele dia eu só tava aqui conversando com uma amiga minha...eu nem sabia e nem sei o que rola aí na sua casa...” Era minha vez de falar ser enérgico...

“Droga, foi mal aí cara, eu não queria descontar a minha raiva em você, é que desde que a minha irmã morreu acontecem esses problemas aqui em casa...mas você não tem culpa disso.”

“Tá tranquilo brother...eu sei mais ou menos como é isso, eu já perdi um parente próximo...aliás, meu nome é Oliver...”

“Ah é, eu nem me apresentei, eu me chamo Isaac...Isaac Rabin.”

RABIN?? ELE SE CHAMAVA RABIN!! Igual ao primeiro ministro de Israel que foi assassinado... mas algo me dizia que eu já tinha ouvido esse nome em algum outro lugar...

E foi isso que me impressionou...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Curse of a fallen soul...

“Oi, você mora por aqui?” Tá, eu sei que não deve ser o melhor modo de começar uma conversa, mas eu nunca fui muito bom nisso...

“Oi, mais ou menos... eu já morei nessa casa mas agora eu tô morando ali, descendo a rua...” Pelo menos ela foi simpática.

“Ah, legal...” Pronto, acabou o assunto, agora eu ia entrar em pânico...

“Eu já te vi por aqui...você ensaia num estúdio por aqui né?” Legal, ela tava puxando assunto, agora é a sua vez Nerd.

“É sim, eu toco numa banda, eu até passei por aqui ontem. Por falar nisso, eu nem me apresentei... meu nome é Oliver...” Não que ela tivesse perguntado, mas a convenção social diz que as pessoas devem sempre dizer seus nomes.

“Prazer Oliver, meu nome é Sara, Sarah Rabin. Que tipo de música a sua banda toca Oliver?” Ela realmente parecia interessada em manter um assunto.

“Ah, a gente toca rock...Irlandês...” Dois segundos depois eu me arrependi de ter dito Irlandês, devia ter ficado só no Rock.

“Sério?! Eu amo rock Irlandês, tipo, Floging Molly, Dropkick Murphys, é muito foda!!!” Agora sim eu tinha quase certeza que ela podia ser uma pessoa legal...

“Eu acho que você é a primeira pessoa que não acha estranho ou pergunta se na Irlanda tem Rock... Você parece ser uma boa pessoa.” Finalmente tocar rock deu um resultado...mesmo sendo Irlandês...

“Sarah, eu posso perguntar uma coisa?”

“Pode...”

“Ontem à noite, tu ouviu alguma coisa estranha aqui tipo um...” Nessa hora...

“RAQUEL VOCÊ JÁ BEBEU DEMAIS!!! PRA ONDE VOCÊ TÁ INDO??!!” Era uma voz de homem...e o cara parecia um pouco exaltado.

“NÃO IMPORTA, EU BEBO O QUANTO EU QUISER E VOU AONDE EU QUISER!! VOCÊ NÃO É A MELHOR PESSOA PRA RECLAMAR PORQUE EU TÔ BEBENDO!! NAQUELA NOITE VOCÊ TAMBÉM TAVA BÊBADO!” Essa era a voz da noite anterior, se bem que agora tá meio enrolada...voz de bêbado.

“VOCÊ NÃO PRECISA FICAR ME LEMBRANDO DISSO! VOCÊ SABE QUE A CULPA NÃO FOI MINHA, FO IUM ACIDENTE!!” O cara continuava...

“É NISSO QUE VOCÊ QUER ACREDITAR MAS TODO MUNDO SABE QUE NÃO FOI BEM ASSIM, VOCÊ FOI O CULPADO!!” Realmente a coisa tava ficando pesada e eu tava vendo a hora de um dos dois sair dali, ver a gente na porta e achar que a gente tava ‘bisbilhotando’...

Quando eu virei pra falar isso pra Sarah eu percebi que tava sozinho...