O pouco que eu lembro do que ela contou era mais ou menos assim...
“Tudo começou há uns seis anos atrás... quando eu tinha dezesseis anos, meu pai morreu, nessa época a gente ainda morava nos EUA. Minha mãe não que nunca suportou muito bem esse tipo de situação se envolveu com o Ex sócio do meu pai, eles eram donos de uma rede de restaurantes... nos primeiros dois anos dessa relação foi tudo bem, ele sempre tratou a mim e ao meu irmão muito bem, bem até de mais se a eu tivesse percebido a tempo. Foi numa noite que a minha mãe saiu pra jantar com umas amigas e o Isaac foi jogar vídeo game na casa de um colega dele, eu fiquei em casa sozinha com o Gusmão...e ele me violentou.”
Eu sei, você deve estar pensando, ela foi violentada quando era jovem...sim, e eu com isso? Milhares de meninas/mulheres são violentadas no mundo e nem por isso elas supostamente viram fantasmas... mas não para por aqui...
“Você deve estar pensando, porque ela não falou pra ninguém, não denunciou o cara? É que eu tive medo...medo pela minha mãe ou pelo meu irmão...ele poderia querer se vingar. Mas o melhor ou o pior é que ele só fez isso uma vez...eu digo pior não porque eu queria que acontecesse de novo, mas é que a minha vida nunca mais foi a mesma...eu vivia com medo tinha pesadelos horríveis e sempre achava que ele ia invadir o meu quarto a noite... depois de um tempo, eu não sei se foi o meu comportamento estranho ou algo do tipo, sei que o meu irmão começou a fazer perguntas muito diretas...tipo ‘o que acontece entre você e o Gusmão?’ e ‘porque você nunca fica sozinha por mais de 15min com ele?’.”
“Isso se passou por quatro anos o medo em casa corredor, eu não tinha mais uma vida, todos os meus amigos se afastaram porque eu não falava mais com eles e até a minha mãe percebia algo...mas como toda mãe observadora só me botou num psicólogo...como se fosse ajudar em algo. Na verdade, até que ajudou por um tempo, eu não tinha mais vontade de me matar, mas não conseguia olhar na cara daquele desgraçado. Até que chegou o dia que eu não pude evitar...o dia da festa, o dia em que eu me libertei.”
“Era um dia de festa como eu disse antes, o Bar Mitzvah (uma festa que simboliza a passagem do menino pra fase adulta.) do filho de uma amiga da minha mãe, e automaticamente, a ‘família perfeita’ tinha que marcar presença. O caminho de ida não teve nenhum problema, tava todo mundo no carro, eu não tinha mais tanto medo assim...a questão foi que na festa, a minha mãe resolveu beber um pouco demais, e eu queria voltar logo pra casa, mas ela não queria parar de dançar a ‘Hava Nagilla’, então o meu irmão disse que ficava lá com ela e falou pro Gusmão me levar, mesmo eu insistindo que podia ir sozinha e tal...”
“No caminho de volta, como eu imaginei ele tentou conversar sobre o que aconteceu, na verdade ele queria realmente conversar...veio com um papo estranho que não sabia o que tinha passado na cabeça dele naquele dia, eu só conseguia olhar pra frente...me segurando pra não chorar só de lembrar daquela noite infernal. Depois disso eu não lembro de muita coisa, só lembro de ele ter olhado pra mim por uns dois segundos, depois foi uma freada, uma luz, depois a polícia tomando o depoimento dele... algo como o caminhão surgir do nada e os freios não responderem...o choque todo foi do meu lado...”
Depois disso, eu (Oliver) só lembro de uma dor forte na cabeça e tudo ficando escuro...
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